Balança comercial registra superavit de US$ 30 bi no 1º semestre de 2018

 

BCabril2018

A balança comercial  (diferença entre o volume de exportações e o de importações)  registrou saldo de US$ 30,055 bilhões no primeiro semestre de 2018. Apesar do resultado positivo, o saldo é 17% inferior ao registrado no mesmo período de 2017, de US$ 36,210 bilhões. É o segundo melhor resultado para o período da série histórica, iniciada em 1989.

Nos primeiros 6 meses de 2018, as exportações somaram US$ 113,834 bilhões. Melhor resultado de exportações para o 1º trimestre desde 2013, quando registrou US$ 114,4 bilhões.

As exportação cresceram 5,7% em relação ao mesmo período de 2017, com destaque para vendas de bens manufaturados e envios recordes de minério de ferro, soja em grão, farelo de soja e celulose.

As importações cresceram 17,2% e registraram US$ 83,779 bilhões no acumulado, com destaque para as compras de bens de capital.

De acordo com o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto, a greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias em maio e fez as exportações caírem 36%, causou efeito nas primeiras semanas de junho.

“As exportações, nas duas primeiras semanas de junho, ainda tiveram um crescimento mais lento, recuperando-se a partir da terceira semana. A importação, a partir da segunda semana de junho, já voltou ao patamar que observávamos antes”, afirmou.

Em 12 meses, a balança acumula superavit de US$ 60,834 bilhões, apenas 1% superior ao alcançado no ano anterior, quando registrou US$ 60,242 bilhões.

SUPERAVIT DE US$ 5,8 EM JUNHO

Em junho deste ano, a balança comercial registrou superavit de US$ 5,882 bilhões. O valor é 18,1% inferior  ao mesmo período de 2017, US$ 7,184 bilhões.

As exportações no mês somaram US$ 20,202 bilhões. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a alta foi de 2,1% pela média diária.

As importações também subiram, somando US$ 14,320 bilhões no mês. O avanço foi de 13,7% sobre junho do ano passado, pela média diária.

PREVISÃO PARA 2018

O ministro do MDIC, Marcos Jorge, afirmou que a pasta mantém previsão para superavit “na casa dos US$ 50 bilhões” para 2018.

No entanto, segundo o ministro, o saldo deve ser menor que o registrado em 2017, de US$ 66,9 bilhões. “Com a retomada da economia, o mercado está mais aquecido e naturalmente importa mais. Isso diminui o saldo da balança”, explicou.

Fonte: Poder 360, Marlla Sabino

Aparecido Rocha – especialista em seguros internacionais

 

Dicotomia na prescrição do seguro no marco regulatório do transporte de cargas

Caminhão

O marco regulatório do transporte de cargas, originário do projeto de lei PL 4860/16 foi aprovado incialmente em 19.12.2017 e complementado por um substitutivo apresentado pelo deputado Nelson Marquezelli, motivado pela repercussão da greve dos caminhoneiros e novamente aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados em 20 de junho de 2018. Continuar lendo

Incoterms define responsabilidade com cargas paradas

CargaParada

A recente greve dos caminhoneiros, somada à greve dos auditores e analistas da Receita Federal, provocaram acumulo de cargas destinadas à exportação nas áreas portuárias e aeroportuárias brasileiras.

Os prejuízos estão sendo contabilizados e exportadores brasileiros e compradores internacionais abrem discussão sobre quem deve assumir os prejuízos consequentes de atrasos, perdas e por avarias das mercadorias negociadas.

Para definição de responsabilização é determinante o conhecimento do momento da transferência de responsabilidade sobre o bem negociado, o que pode ser definido pelo Incoterms ajustado e constante da fatura comercial.

Incoterms (International Commercial Terms) são termos de vendas internacionais, publicado pela International Chamber of Commerce (ICC), uma organização baseada em Paris, que trabalha para promover e assessorar o comércio internacional. As regras estabelecidas internacionalmente servem de base para a negociação no comércio entre países e permite a interpretação correta e precisa da transferência de responsabilidades, custos e riscos dos contratos internacionais celebrados entre exportadores e importadores.

O Incoterms 2010 contém onze termos, através deles é possível identificar quem deve assumir os prejuízos gerados com as cargas paradas no Brasil destinadas à exportação.

O termo Ex Works (EXW) é o único que isenta totalmente o exportador sobre quaisquer prejuízos que possa ocorrer com a mercadoria vendida e retirada em seu local.

Nos termos Free Carrier (FCA) e Carriage Paid To (CPT), o exportador encerra suas obrigações com a entrega da mercadoria, desembaraçada para a exportação, ao transportador ou a outra pessoa indicada pelo comprador, no local indicado no Brasil. Nesses termos, os prejuízos com as cargas paradas nas áreas portuárias e aeroportuárias serão do comprador.

No termo Free Along Ship (FAS), o vendedor se responsabiliza pela entrega da mercadoria desembaraçada para exportação, ao longo do costado do navio transportador indicado pelo comprador, no cais ou em embarcações utilizadas para carregamento da mercadoria, no porto de embarque. Os prejuízos ocorridos antes da colocação da mercadoria no costado do navio, será do exportador.

Nos termos Free On Board (FOB) e Cost And Freight (CFR), o exportador encerra suas obrigações e responsabilidades com a mercadoria, desembaraçada para a exportação e entregue a bordo do navio no porto de embarque. Eventuais prejuízos com as cargas paradas nas áreas portuárias serão de responsabilidade do exportador.

Nos termos Carriage And Insurance Paid To (CIP) e Cost Insurance And Freight (CIF), o exportador contrata e paga as despesas de embarque da mercadoria, do frete, e custo do seguro até o local de desembarque no destino indicado. Nesses termos, os prejuízos por perdas e avarias com as cargas paradas nas áreas portuárias e aeroportuárias serão do exportador, porém coberto pelo seguro de transporte internacional se contratado com a Cobertura Ampla A e para os riscos anterior ao embarque, mas não cobre prejuízos por atraso.

Nos termos Delivered At Terminal (DAT), Delivered At Place (DAP) e Delivered Duty Paid (DDP), o exportador encerra sua responsabilidade quando a mercadoria é colocada à disposição do comprador, no país de destino, observado o local indicado no termo negociado. Nessas condições, os prejuízos com as cargas paradas no Brasil serão do exportador. O seguro de transporte é opcional e sendo contratado com a Cobertura Ampla A, cobrirá os prejuízos por perdas e avarias, mas não haverá cobertura para prejuízos por atraso.

Os termos CIF, CIP, DAT, DAP e DDP são as alternativas que permitem ao exportador vender suas mercadorias com seguro e evitar perdas financeiras por sinistros ocorridos durante o transporte.

Aparecido Rocha – especialista em seguros internacionais